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A revolução silenciosa no mundo do trabalho

Neste artigo

Mulher ruiva de óculos, relaxada, com as mãos atrás da cabeça em um escritório, com colegas trabalhando ao fundo

Uma revolução silenciosa (quiet revolution) no mundo do trabalho começou a acontecer logo nos primeiros meses de trabalho remoto exigidos pela pandemia.

Descobrimos que o trabalho poderia acontecer longe dos olhos do chefe, de qualquer lugar do mundo, e que a nossa produtividade poderia ser ainda maior.

Também percebemos que nossas vidas vão além do trabalho e que dedicar um tempo para a família e para os amigos traz um equilíbrio emocional que nos fazia falta no dia a dia tradicional das empresas.

Assim, aprendemos que é possível o nosso estilo de vida determinar como o trabalho acontece, em vez do trabalho determinar como o nosso estilo de vida deve ser a partir de suas regras e procedimentos.

Analisando esse processo intenso de ressignificação do trabalho, consigo destacar 4 grandes constatações:

1. Autonomia no trabalho depende de autoconhecimento

Autonomia é basicamente o resultado da combinação de três fatores: entender quem nós somos (autoconhecimento), compreender os outros com quem trabalhamos (relacionamentos) e conhecer o contexto (transparência organizacional).

Quando isso acontece, a responsabilidade passa a ser uma consequência da ação autônoma no trabalho (e não uma precondição, como estamos acostumados a ouvir) e comportamentos ditos “maduros” começam a emergir das relações profissionais.

2. Autoconhecimento vem da experiência

Autoconhecimento não se aprende em livros. É preciso vivenciar situações, tentar, acertar, errar… para descobrir quem somos e do que somos capazes.

Isso significa ter oportunidades de interagir com as pessoas, participar das decisões, enfrentar desafios e ter condições para assumir riscos (coisas que geralmente só estão disponíveis para os chefes).

Cultivar um ambiente de trabalho com segurança psicológica é importante, assim como o apoio de outros profissionais para nos ajudar a analisar, em retrospecto, a forma como pensamos e agimos nas atividades profissionais (conhecemos isso como “cultura de feedback”).

3. Experiência traz consciência

O predomínio atual de processos empíricos nas organizações (aqueles que só descobrimos como executar depois de vivenciar) e a pressão por inovação de um mercado cada vez mais complexo fazem dos experimentos um caminho muito importante de descoberta sobre como pensamos a respeito das pessoas e das coisas que nos cercam.

Ter discernimento sobre como ações, comportamentos e relacionamentos afetam os resultados do trabalho faz com que sejamos responsáveis por nossas capacidades e por aquilo que temos vontade de criar (afinal, “a vontade é um desejo que passou pelo crivo da razão”).

A alegria do sucesso, a dor do fracasso, a dúvida se seremos capazes e a esperança de que conseguiremos moldam a nossa consciência no ambiente de trabalho.

4. Consciência cria aprendizado

Agir de forma autônoma, vivenciar oportunidades que nos fazem crescer profissionalmente, experimentar soluções para problemas complexos (em conjunto com outros colegas de trabalho) e ampliar o grau de consciência sobre a nossa presença no mundo cria algo único: aprendizado.

Esse aprendizado nos transforma como indivíduos e como profissionais, tornando possível agir de forma diferente perante desafios futuros, alcançando resultados que antes éramos incapazes de atingir.

Permitir que esse “ciclo virtuoso” aconteça naturalmente é a base dos estilos modernos de gestão e a principal responsabilidade dos gestores e atuais lideranças.

Publicado originalmente no LinkedIn em 10 de julho de 2023

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